NOTÍCIAS

Na produção, como sommelières ou donas de bares, mulheres brilham no mundo cervejeiro

16/08/2019 Fonte: O GLOBO

RIO — Na antiguidade, as mulheres eram as responsáveis pela produção da cerveja . Estamos falando de mais de dez mil anos atrás. Enquanto os homens saíam para caçar e guerrear, elas ficavam encarregadas de preparar os alimentos e as bebidas. A cerveja, inclusive, era um líquido sagrado , sendo usada até mesmo em cerimônias religiosas , numa prática que começou na Suméria e se espalhou por outras partes do mundo.

— Cerveja e pão são alimentos que partem do mesmo processo, por isso essa relação. As mulheres só começaram a perder sua ligação com a cerveja quando da criação das fábricas, em meados da Idade Média — explica Leonardo Botto, sommelier, consultor, produtor de cervejas e referência no assunto.

Hoje, elas estão fazendo um movimento de retorno às origens cervejeiras . Em pleno Breja Rio, que acontece sábado e domingo, e às vésperas do Mondial de La Bière , O GLOBO-Zona Sul apresenta personagens que comprovam: cerveja é bebida de mulher , sim! Elas entendem tudo de maltes, lúpulos e leveduras , sabem diferenciar uma ale de uma lager e são experts em sabores e aromas.

Uma das sócias à frente do Narreal Brewpub , aberto no fim de fevereiro, em Botafogo, é Cristina Biangolino. Ela conta que ingressou nesse meio como uma boa bebedora, em 2006, quando as primeiras cervejas artesanais começavam a chegar, timidamente, ao Brasil.

— Fiquei deslumbrada com tantas possibilidades de aromas e sabores que começavam a se apresentar e que tornavam cada cerveja única. Então decidi pesquisar — lembra.

Cristina fez cursos, viajou o Brasil e o mundo em busca de novos sabores e mergulhou no universo cervejeiro até começar a produzir cerveja em casa, com amigos. Logo estava conectada a um universo de pessoas unidas pela mesma paixão. Quando surgiu a oportunidade de abrir o brewpub com o marido e outros sócios, não pensou duas vezes.

— O Narreal oferece a oportunidade de entregar um produto fresco, que sai praticamente do tanque direto para o consumidor — conta ela, que participa da escolha das cervejas que vão para o tap list e cuida do painel sensorial que antecede cada produção. — Escolho os ingredientes que vão compor a receita da cerveja e como vai ser o direcionamento da mesma.

Há duas semanas, o time do Narreal ganhou uma nova integrante. Trata-se da estagiária Marina Nóbrega, de 26 anos. Aluna de Engenharia de Alimentos, ela atua na área da qualidade e faz análises das cervejas que estão fermentando e maturando.

— Tem todo um estudo científico por trás da produção de cada cerveja, e isso me fascina. Tenho aprendido diariamente — diz.

As amigas e sócias Marcela Freitas e Monick Aquino estão à frente do Verace Rio, aberto em maio, em Botafogo. Vindas de áreas completamente diferentes — Marcela é formada em Engenharia de Produção, e Monick, em Publicidade —, elas também foram fisgadas pelo embriagante universo cervejeiro. Formadas nos cursos de sommelier de cerveja e mestre em estilos, elas apostaram nesse mercado predominantemente masculino.

— Desde o ano passado tínhamos o desejo de abrir um negócio nessa área, o que se materializou com o Verace. A resposta tem sido incrível — diz Monick.

Para Marcela, as mulheres precisam dosar muitos aspectos que não podem pesar na rotina de trabalho:

— O grande desafio de ser uma mulher nesse meio é demonstrar firmeza sem se deixar embrutecer no dia a dia. Precisamos resolver desde um problema na caixa d’água a uma estratégia de comunicação e o relacionamento com funcionários e clientes.

Presença nos festivais cervejeiros só aumenta Fazendo jus à máxima de que lugar de mulher é onde ela quiser, elas também fazem questão de estar presentes nos principais festivais dedicados à cerveja. E o fazem com graça e talento. Francesca Sanci, por exemplo, é sommelier de cervejas formada pelo Science of Beer e, pela primeira vez, será jurada do MBeer Contest Brazil, concurso que acontece durante o Mondial de La Bière, marcado para setembro, no Centro. Sua missão no júri será a de escolher as melhores cervejas do festival.

— É uma responsabilidade grande sim, e as expectativas são as melhores. Como já trabalho com isso há tempos, estou bem tranquila e segura — conta a jovem moradora de Copacabana.

Dos 25 anos de Francesca, cinco são dedicados à área de bebidas, que descobriu durante a faculdade de Gastronomia. Trabalhou como bartender e vendedora, até ingressar num curso de sommelier de cervejas. A partir da formação, passou a ministrar cursos e a promover degustações e harmonizações. Francesca conta que a presença feminina é cada vez maior nos cursos e eventos de que participa.

— Acho que é uma questão de tempo até termos mais mulheres ingressando nesse meio. Estamos num momento de mudanças, e as mulheres têm se empoderado, têm se permitido cada vez mais — acredita.

Luana Cloper, diretora do festival, que chega a sua sétima edição, diz que não apenas o número de mulheres à frente das cervejarias está aumentando, mas também o número de visitantes do sexo feminino:

— Se a gente olhar só o recorte da venda de ingressos, levando em consideração que uma pessoa pode comprar até cinco ingressos, 46% dos compradores até agora são mulheres. É interessante, pois mostra que elas estão tomando a liderança e sendo as responsáveis pela tomada de decisão para estarem no evento.

Um outro festival cervejeiro que já faz parte do calendário da cidade é o Breja Rio. Em sua 11ª edição, ele é realizado Lagoon, reunindo cervejarias tradicionais e estreantes. Segundo Thiago Loureiro, um dos responsáveis pelo evento, o comparecimento das mulheres sempre foi muito significativo em termos de público, com cerca de 60% do total.

— Mas desde a nossa primeira edição, em janeiro de 2017, a presença de mulheres à frente de cervejarias tem sido marcante. Em nossa estreia não tínhamos nenhuma cervejaria comandada por mulheres, por exemplo. Na edição deste fim de semana, teremos 25% dos expositores de cervejas com mulheres à frente — destaca.

Uma dessas participantes é a Wonderland, que tem Anna Lewis como uma das sócias. Ela conta que nunca se intimidou por ingressar nesse mercado tão dominado pelos homens. Pelo menos até agora.

— Na minha vida profissional anterior eu trabalhava com TI, então já estou acostumada a lidar com homens o tempo todo. Hoje em dia temos mais mulheres produzindo cerveja ou administrando empresas relacionadas a cervejas do que em outros tempos. Espero que esses números cresçam exponencialmente — afirma.

Leia também

USE AS TAGS #MONDIALDELABIÈRERIO E #MONDIALDELABIÈRERIOEUVOU E COMPARTILHE SEU AMOR POR CERVEJAS ARTESANAIS.

Informações, Dúvidas e SAC:
+55 (21) 2442 9319
Atendimento: 10h às 18h.
Endereço escritório:
Av. Salvador Allende, 6.555
Barra da Tijuca – 22783-127

FAGGA EVENTOS – CNPJ 05.494.572/0001-98